O movimento abolicionista brasileiro (1868-88)
Sinopse - Companhia das Letras - 2015 - 538 páginas

A brilhante Angela Alonso, em sua magnífica obra “Flores, votos e balas”, nos faz mergulhar em imersão total nos desconhecidos detalhes do ativismo que norteou o movimento abolicionista. Pois até aquele belo dia em que “a doce Princesa Isabel” enfim decidiu assinar a Lei Áurea, muitas águas rolaram... ou melhor muitos plenários, gritos, votos, e... balas. Creiam, a verdade é emocionante!
A escrita de Alonso é viciante, “dá rosto à tenaz mobilização social de homens e mulheres, brancos e negros contra a escravidão no Brasil”, sua habilidade ao descrever fatos, lugares, temperamentos e emoções, nos conduz a imagens tão vívidas que é como se estivéssemos diante de uma tela de cinema ou mesmo no centro dos fatos vivenciando a passionalidade de homens que combateram ferozmente, sacrificando posição, fortuna e vida em prol da liberdade de um povo massacrado pela ganância de uma minoria escravista.
Sob o ponto de vista da saga dos abolicionistas André Rebouças, Abílio Borges, José do Patrocínio, Luís Gama, Joaquim Nabuco e Antônio Bento Castro, faremos descobertas surpreendentes sobre as verdades ocultas na articulação dos interesses escravistas, a conivência do Império, de deputados e senadores. Aos poucos vamos entendendo como seis homens de personalidade tão diversa, colocaram de lado suas diferenças e uniram-se na luta que deu inicio ao 1º movimento social nacional: A abolição da escravidão.
Ambientado em 1868/1888, o Brasil é o ultimo reduto de escravidão. Durante 20 anos de ativismo abolicionista aristocratas, intelectuais, escravistas, políticos, artistas, juristas, trocarão farpas até a abolição. Na primeira fase, Rebouças, Patrocínio e Borges, com suas “flores” [camélias brancas] atuam no espaço público por meio de saraus, concertos, atuações teatrais, assim através da arte e comoção emocional, agregam adeptos à causa e alcançam a mobilização popular:
Castro Alves, José de Alencar, Machado de Assis, Raul Pompeia, Rui Barbosa entre outros são citados; manifestos, artigos, carta aberta, afinal a imprensa fervilhava, o confronto inicial foi pela palavra.
A segunda fase do movimento teve lugar na esfera política e institucional. No parlamento, Nabuco e Dantas enfrentariam muitos percalços e desditos, Gama teria melhor êxito no Judiciário por meio da Lei de 1831, que valia-se de um tratado com a Inglaterra que proibia o comércio negreiro, portanto os negros registrados após essa data eram ilegais, logo deviam ser libertos. Após 1871 veio a primeira vitória dos abolicionistas no parlamento [via Dantas], a Lei do ventre livre.
Entretanto, a “queda” de Dantas e ascensão do Partido Conservador com o Barão de Cotegipe e sua “política do cacete” apoiada e financiada pelos escravistas, traria o contramovimento da terceira fase: “balas”. Os abolicionistas após “desgostos em série” no parlamento, decidem atuar na clandestinidade, principalmente frente às ameaças, resistência e confronto dos escravistas. Aí o circo pega fogo. E o Império treme frente a eminente revolta civil.
Obs: Em anexo, a obra apresenta tabelas de votações e petições, referência de fontes, ilustrações da época, mapas e extensa bibliografia relativa às notações.
A escrita de Alonso é viciante, “dá rosto à tenaz mobilização social de homens e mulheres, brancos e negros contra a escravidão no Brasil”, sua habilidade ao descrever fatos, lugares, temperamentos e emoções, nos conduz a imagens tão vívidas que é como se estivéssemos diante de uma tela de cinema ou mesmo no centro dos fatos vivenciando a passionalidade de homens que combateram ferozmente, sacrificando posição, fortuna e vida em prol da liberdade de um povo massacrado pela ganância de uma minoria escravista.
“ Ativismo de impacto decisivo. A abolição não se faria por si, pelo desenvolvimento da economia ou por decisão solitária do sistema político, como não se fez por canetada da princesa.”
Sob o ponto de vista da saga dos abolicionistas André Rebouças, Abílio Borges, José do Patrocínio, Luís Gama, Joaquim Nabuco e Antônio Bento Castro, faremos descobertas surpreendentes sobre as verdades ocultas na articulação dos interesses escravistas, a conivência do Império, de deputados e senadores. Aos poucos vamos entendendo como seis homens de personalidade tão diversa, colocaram de lado suas diferenças e uniram-se na luta que deu inicio ao 1º movimento social nacional: A abolição da escravidão.
Ambientado em 1868/1888, o Brasil é o ultimo reduto de escravidão. Durante 20 anos de ativismo abolicionista aristocratas, intelectuais, escravistas, políticos, artistas, juristas, trocarão farpas até a abolição. Na primeira fase, Rebouças, Patrocínio e Borges, com suas “flores” [camélias brancas] atuam no espaço público por meio de saraus, concertos, atuações teatrais, assim através da arte e comoção emocional, agregam adeptos à causa e alcançam a mobilização popular:
“ Os escravocratas desdenhavam das nossas conferências, das nossas flores, dos nossos versos e das nossas músicas (muito bem) e achavam que os versos e as músicas não podiam edificar cousa alguma; entretanto, eles hoje estão vendo que com discurso e com músicas fazem-se coisas muito grandes.”
Castro Alves, José de Alencar, Machado de Assis, Raul Pompeia, Rui Barbosa entre outros são citados; manifestos, artigos, carta aberta, afinal a imprensa fervilhava, o confronto inicial foi pela palavra.
A segunda fase do movimento teve lugar na esfera política e institucional. No parlamento, Nabuco e Dantas enfrentariam muitos percalços e desditos, Gama teria melhor êxito no Judiciário por meio da Lei de 1831, que valia-se de um tratado com a Inglaterra que proibia o comércio negreiro, portanto os negros registrados após essa data eram ilegais, logo deviam ser libertos. Após 1871 veio a primeira vitória dos abolicionistas no parlamento [via Dantas], a Lei do ventre livre.
Entretanto, a “queda” de Dantas e ascensão do Partido Conservador com o Barão de Cotegipe e sua “política do cacete” apoiada e financiada pelos escravistas, traria o contramovimento da terceira fase: “balas”. Os abolicionistas após “desgostos em série” no parlamento, decidem atuar na clandestinidade, principalmente frente às ameaças, resistência e confronto dos escravistas. Aí o circo pega fogo. E o Império treme frente a eminente revolta civil.
A experiência dessa leitura é indescritível, vívida, envolvente e passional...
Esclarecedor, fascinante, transformador!
Obs: Em anexo, a obra apresenta tabelas de votações e petições, referência de fontes, ilustrações da época, mapas e extensa bibliografia relativa às notações.
Essa leitura foi uma cortesia da Companhia das Letras.
Aguardamos seus comentários! By.:.





eu acho que livros como esse desmistificam a santidade de pessoas que apenas cederam as pressões como é o caso da princesa, tida por muitos como uma santa, mas que na verdade a abolição veio muito mais da insistência do povo do que da boa vontade
ResponderExcluirhttp://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/
Muito boa a sua resenha...
ResponderExcluirBeijinhos :)
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Oi Elis
ResponderExcluirNão conhecia esse livro e nem imaginava sobre o que seria, foi uma grande surpresa saber sobre ele, deve ser um livro muito interessante, relatando o acontecimento, como você citou, de forma tão vívida.
Com certeza vou procurar esse livro para ler ;)
Parabéns pela bela resenha.
Beijinhos
Renata
Escuta Essa
Oii, esse parece ser um livro bem interessante pra quem está estudando sobre o assunto da lei áurea, por conter detalhes que às vezes não obtemos em outros livros de história, deixando o assunto mais próximo do nosso lado emocional. Gostei da resenha exatamente por me deixar sabendo disso. Obrigada pela sugestão <3
ResponderExcluirbeijos
emiliano.fernanda@yahoo.com.br
Hello!
ResponderExcluirNão leio mtos livros históricos, apesar de gostar mto da materia hsitoria na escola.
Flores, votos e balas da Angela Alonso é uma novidade para mim, nao conhecia o livro.
Me interessei mto em conhecer mais sobre os detalhes do ativismo que norteou o movimento abolicionista, a gente tem uma visao romantizada do assunto, nao foi apenas uma assinatura da Princesa Isabel, tem mto mais por trás.
Adorei a resenha e realmente fiquei curiosa para entender mais sobre a nossa historia do Brasil.
Beijos.
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https://livrosesushi.wordpress.com/
Rosem!
ResponderExcluirSou fascinada pela história do Brasil e essa fase do abolicionismo é ainda mais interessante, porque foi uma fase conturbada, onde muitos atos políticos influenciaram o período.
Deve ser um livro fascinante.
“Feliz Ano Novo, que este ano seja superado pelo velho em felicidades, amor, esperança, fé, paz e que o ano seguinte seja em dobro, tenha um feliz e prospero ano novo.” (Chium)
cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
Participem do nosso Top Comentarista de Dezembro, serão 6 livros e 3 ganhadores!
Adorei a resenha do livro, muito obrigada pela dica de leitura!
ResponderExcluirO livro parece bem interessante, curto muito história do Brasil e essa resenha me deixou bastante interessante em conferi essa leitura.
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