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[Resenha] Z a cidade perdida

Z a cidade perdida - David Grann

Z a cidade perdida - David Grann
Sinopse - Companhia da Letras - 2009 - 424 páginas


Com sua narrativa impressionante David Grann nos retira do lugar comum, e nos faz embrenhar na floresta amazônica como se estivéssemos em uma realidade paralela, a selva e seus mistérios mortais são revelados com uma perspectiva de ecossistema pouco explorada por outros tantos autores que escreveram sobre o tema, o efeito é de sonho lúcido.

A não ficção de Grann está além da imaginação, contador de histórias nato já me surpreendeu com o enigmático “Assassinos da lua das flores”, e superou minhas expectativas [que eram altas] em “Z a cidade perdida”, que nos fisga da primeira até a última página, demonstrando que paixão é a alma da escrita de qualidade.

O mito sobre uma cidade perdida na selva e o homem que tornou-se um mito ao buscá-la…

Grann segue os passos desse homem, o explorador Percy H. Fawcett, sua busca pela descoberta arqueológica que mudaria a história da humanidade: uma ancestral civilização perdida na Amazônia – a lendária Eldorado. Imaginem que o personagem Indianna Jones foi inspirado nas expedições e façanhas de Fawcett. Mas quem era o homem por trás da personagem:

“... os mesmos fatores que faziam de Fawcett um grande explorador – sua fúria demoníaca, sua determinação e uma sensação quase divina de imortalidade – tornavam-no uma figura assustadora para quem estivesse em sua presença.”

A narração alternada entre 1ª e 3ª pessoa nos faz saltar entre presente e passado, entre a rota de Fawcett mediada pelos fragmentos de sua narrativa expedicionária, como diários de viagem e artefatos deixados, e a investigação de Grann em busca destes fragmentos e como ele formará o quebra-cabeça que fascina durante um século exploradores do mundo inteiro, tendo em vista que seu desaparecimento e paradeiro tornou-se uma obsessão mortal para muitos de seus seguidores.

“... um explorador da Amazônia, imerso em um caldeirão de calor, tem os sentidos constantemente assaltados... existe a chuva, e onde quer que o explorador pise existe um perigo à espreita: o mosquito da malária, uma lança, uma cobra, uma aranha, uma piranha. A mente tem que lidar com o terror de estar constantemente sitiada.”

Ação, mistério, suspense e muita aventura, entretanto David Grann, em sua busca pelo paradeiro de Fawcett, nos faz penetrar em realidades ainda mais sinistras ao confrontar o lado oculto da história, nos faz refletir sobre a atual situação da Amazônia; pontua a questão do desmatamento para extração ilegal de madeira ou assentamento agrícola, a violência contra os índios para apropriação de terras, a extração desmesurada de flora e fauna, enfim a invasão selvagem da Floresta por mãos humanas.

O livro é ricamente ilustrado com fotos da época, inúmeras notas e extensa bibliografia, mas, sobretudo, dois mapas detalhados das expedições de Fawcett: um das seis expedições de 1906 a 1914 na divisa da Amazônia com a Bolívia e o outro da rota da expedição de 1925 no sul da Amazônia, ou seja, a rota de seu desaparecimento, local em que muitos aventureiros já tentaram penetrar, sem êxito, em busca de Z a cidade perdida.

Hipnotizante.
Grann me cativou para sempre…

Essa leitura foi uma cortesia da Companhia das Letras.
Aguardamos seus comentários! By.:.

[Resenha] Assassinos da lua das flores

Assassinos da lua das flores - David Grann

Assassinos da lua das flores - David Grann
Petróleo, morte e a criação do FBI
Sinopse - Companhia da Letras - 2018 - 392 páginas


Misterioso, inquietante, envolvente e extraordinário, “Assassinos da lua das flores” é tudo isso mesmo. A fascinante narrativa de David Grann, fonte de uma extensa pesquisa sobre a primeira grande investigação do FBI, desvenda os assassinatos em série dos membros milionários da tribo indígena Osage e traz à cena um de seus agentes mais competentes: o antigo Ranger texano Tom White.

“...um manto sombrio de mistério e medo […] cobria os vales repletos de petróleo nas montanhas dos osages”.

Ambientado em 1920, Oklahoma, último reduto do velho oeste. No Condado de Osage borbulham imensos poços de petróleo, da noite para o dia alguns membros da tribo osage ficam milionários, possuem carros de luxo, mansões, seus filhos passam a estudar na Europa, entrementes, atraem para si inveja, preconceito e cobiça. Rotulando o comportamento dos osages de excêntrico e pródigo, o Estado [por intermédio de alguns representantes de Oklahoma] os considera incapazes de gerir tamanha riqueza e cada família deve nomear um “americano branco” como gestor de sua fortuna para que a mesma não seja bloqueada. Então os osages começam a ser assassinados.  

“A pergunta que se impõe na terra osage é: “ Quem será o próximo”?

A Narrativa em 3ª pessoa nos insere na história da família de Mollie Burkhart frente ao desaparecimento de sua irmã Anna Brown e a possível ligação com dois assassinatos subsequentes ao seu sumiço. Os misteriosos crimes que assolam o Condado nos fazem mergulhar nas investigações, que ficam cada vez mais intrincadas, com muitos suspeitos, convenientes álibis que quando desmascarados levam a pistas ainda mais controversas. Assim o nó vai se formando, aliás, os vários nós em nossa cabeça, e no decorrer o que descobrimos está além de nossa vã filosofia.

Os fatos ocorreram, as personagens são reais, podemos ver suas expressões nas fotos que intercalam a trama macabra e vil que Grann desdobra em camadas, história dentro da história, detalhes sórdidos, texturas, o dito e o não dito. O perturbador é que a cada imagem saímos da imersão e nos damos conta: isso não é ficção, é sangue real, são pessoas reais.

Quando Tom White entra em cena muitos enigmas são solucionados, pactos são desvendados, traições vêm à tona e conseguimos um pouco de justiça, mas só um pouco viu. O que ocorre é que tem pessoas extremamente influentes envolvidas numa conspiração que agrabge território, petróleo, poder, política e sem dúvida foi a origem de inexplicáveis fortunas. Com um tino investigativo podemos pontuar alguns ancestrais de magnatas da atualidade e o “acaso fortuito” em negócios prósperos. Prosperidade regada a sangue. Tenso.

Enfim, o livro não é um romance, mas tem toda sua estrutura: uma história densa, contada com maestria e sensibilidade ímpar. Num capitulo final Grann nos relata, agora como repórter, sobre seus primeiros contatos com a tribo asage, o acesso a documentação do caso por meio dos descendentes de Mollie e algumas curiosidades sobre a investigação envolvendo Tom White e Hoover, o chefão do FBI.

Quem aprecia mistério e investigação vai devorar essa leitura.
Excelente!       

Essa leitura foi uma cortesia da Companhia das Letras.
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[Resenha] O labirinto dos espíritos

O labirinto dos espíritos - Carlos Ruiz Zafón

O labirinto dos espíritos - Carlos Ruiz Zafón
O Cemitério dos Livros Esquecidos - Livro 04
Sinopse - Suma de Letras - 2017 - 680 páginas


Com “O labirinto dos espíritos”, Carlos Ruiz Zafón encerra a saga “O cemitério dos livros esquecidos” que encantou milhares de leitores pelo mundo. Em uma entrevista à TV espanhola por ocasião do lançamento deste IV livro da série, Zafón disse que apesar de ter recebido algumas propostas de adaptação, não tem intenção de fazê-lo; considera que uma mudança de linguagem desvirtuaria a obra que tem o sentido de enaltecer a imaginação dos leitores, mas sobretudo homenagear a arte da escrita e da palavra, objetivo que ele alcançou com maestria.

“...Vai ser o nosso segredo para sempre.”

Neste “Labirinto”, Zafón trata das consequências da descoberta que Daniel Sempere fez sobre o passado misterioso, que envolve sua família [que teve como clímax a morte de sua mãe, a impetuosa Isabella que nos encantou em “O jogo do anjo”] e como sua insaciável busca por respostas se reflete na transformação do herói em um homem tragado pelo desejo de vingança que segue os passos de seu “possível” desafeto a fim de encontrá-lo e confrontá-lo; neste contexto entra em cena a bela, sexy e perigosa Alicia Gris que está em busca deste mesmo homem [que nos revoltou em “O prisioneiro do céu”] e dos motivos de seu inexplicável desaparecimento em Barcelona.

Até chegarmos aqui já percorremos um longo caminho de enigmas, portanto no IV livro as pontas soltas serão unidas em revelações impressionantes, com uma trama constante, inquietante e visceral. Algumas locações em Madri trazem uma variação ambiental, mas os labirintos barceloneses são o foco, afinal a grande personagem da saga é a Cidade de Barcelona, sua trágica história, grandiosa arquitetura, suas ruas labirínticas, lugares arcaicos e sombrios, os esqueletos esquecidos nas masmorras da ditadura. Assim convergimos ao “grand finale”, que une todas as histórias e coliga as inúmeras personagens.

Muito do que aconteceu nas prisões do Castelo de Montjuic será desvelado por Alicia, que é um misto de Mata Hari e “garota perdida”, que investiga o desaparecimento de Maurício Vall, atual ministro da cultura que no passado foi Diretor do presídio de Montjuic, portanto algoz de David Martin e de Fermín [O jogo do anjo e O prisioneiro do céu], logo provável assassino de Isabella, de acordo com as investigações solitárias de Daniel Sempere.

Mas nada é o que parece ser na trama, muitas reviravoltas, emboscadas em becos escuros, vilões despontam de onde menos se espera, muita aventura, ação, intriga, emoções a flor da pele, passionalidade. As pistas mais uma vez são aneladas a um dos livros esquecidos “O labirinto dos espíritos VII – Ariadna e o príncipe escarlate” de Victor Mataix, que por acaso é um dos livros favoritos de Julian Sempere, filho de Daniel e neto de Isabella, ou seja, tudo está ligado. Provando que a imaginação e o poder de associação de Zafón não têm limites.

São muitas emoções, personagens complexos e inesquecíveis que transitam da comédia de costumes ao gótico sombrio, inúmeras referências literárias nos fazem transitar em múltiplos sentidos para solucionar os mistérios propostos e o resultado disto é imersão total neste mundo mágico de escritores malditos, pois buscando o elo da verdade sobre os Sempere também nos perdemos no labirinto de uma Barcelona esquecida no tempo, repleta de história e de histórias.

“... seus passos para sempre perdidos no labirinto dos espíritos.”

Enfim, nada que eu diga fará jus a essa obra, pois trata-se de uma inigualável experiência sensorial.

Magnífico. Bravo! 

Série O Cemitério dos Livros Esquecidos



Essa leitura foi uma cortesia do Grupo Companhia das Letras.
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[Resenha] Os Pilares da Terra

Os Pilares da Terra - Vol. Único - Ken Follett

Os Pilares da Terra - Vol. Único - Ken Follett
Sinopse - Editora Rocco - 2012 - 944 páginas


Na lista de meus romances históricos favoritos, para ler e reler, Os Pilares da Terra é uma proposta de leitura ousada afinal são 941 páginas, no entanto é um “page turner” que te faz devorar o livro e ao final querer mais. Essa é a terceira vez que leio esta maravilha de história por puro prazer, e mais uma vez fui arrebatada pela maestria da escrita de Ken Follet.

Ambientado na Inglaterra no período de 1123 a 1174, a trama mescla ficção e fatos históricos em torno da conspiração após a morte de Henrique I pela Coroa da Inglaterra e a paixão obcecada de um homem para construir uma Catedral gótica, entretanto o título já nos oferece a pista de que a “Catedral” é apenas a premissa para questões mais profundas: a mudança econômica, política e religiosa que floresce no período, o poderio que o Clero passa a deter e como a semente da burguesia emerge de tudo isso.

“As Catedrais eram os edifícios mais caros do mundo, muito mais que palácios ou castelos, e tinham que ganhar o dinheiro que custavam.”

O mais surpreendente é que Follet vai tratar desses temas densos de forma fluída, com uma linguagem contemporânea que nos aproxima desde o início de suas personagens. Suas descrições sensoriais de cenários e situações cotidianas nos inserem no dia a dia medieval – os costumes, vestuário, alimentação –, e nos remete a dificuldade de sobrevivência numa sociedade regulada por estações climáticas, onde o inverno definia a vida ou a morte dos menos afortunados. Junte-se a isso a sombra anárquica frente à guerra civil alinhada aos conchavos políticos entre a nobreza e o clero, que podia com suas articulações coroar ou derrubar reis.

As inúmeras personagens dividem-se em núcleos, a princípio isolados, que gradualmente são intercalados e finalmente anelados em um clímax visceral. Já no prólogo somos fisgados quando uma belíssima e incomum jovem lança uma maldição mortal sobre um monge, um cavaleiro e um sacerdote - qual será a relação da jovem e esses três homens com a conspiração emergente?

Passado o assombro do prólogo damos de cara com Tom, “o construtor” e sua obsessão pela construção da Catedral de seus sonhos, determinado e egocêntrico, em sua jornada do herói arrasta sua família por caminhos inseguros fazendo amigos, mas sobretudo inimigos poderosos. Num conflito contínuo acompanhamos seus altos e baixos, sua incrível capacidade de superação apoiada na fé nos lega momentos epifânicos de rara beleza.

E como quando você pega um caminho nunca sabe onde vai chegar, é assim que Follet vai interligado personagens e enredo: cruzando caminhos, prestando auxílio, fazendo alianças, estabelecendo rixas, criando afetos, desafetos e quando percebemos tudo está ligado.

Mesmo que a trama tenha como tema central a construção de uma Catedral e Tom como Mestre Construtor possa parecer o protagonista, creio que a grande personagem da obra é Philip de Gwyneld  Prior da Catedral Kingsbridge – frente o liame que esta fascinante figura representa em todos os sentidos, seu efeito transformador junto às demais personagens, seus pontos de virada ideológicos e sua evolução pessoal.       

Diante de personagens magnânimos como Philip, Tom e a surpreendente Aliena [As mulheres de Follet são fortes e destemidas para a época], é claro que os antagonistas estão a sua altura, ou seja, são sórdidos e cruéis como Willian e Regan Hamleighs ou pérfidos como o Bispo Waleran. Logo o conflito é interrupto, o ritmo é intenso, num jogo perigoso e letal.

Na segunda parte da obra Jack e sua genialidade arquitetônica roubam a cena, seu antagonista Alfred é o típico vilão asqueroso que queremos riscar da cena, chegará a maldade extrema para prejudica-lo e afasta-lo de seu grande amor: Aliena. De modo que os apaixonantes Jack/Aliena passarão por muitas provações. OMG!

Enfim uma obra apaixonante repleta de fortes emoções, questões de princípios, ameaças mortais, manipulação, ambição, todo tipo de conspiração, traições inesperadas, sexo, violência; mas também paixão, idealismo, amizade, lealdade, perseverança, caridade, e sobretudo fé em uma sociedade mais humana, constituída pela união de forças na construção de um mundo mais justo norteado por objetivos em comum. Este mundo perfeito é agregado no priorado de Kingsbridge para onde tudo converge.

Magnífico, uma obra prima. 

Confira também:


Essa leitura foi uma cortesia da Editora Rocco.
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[Resenha] Fique Onde Está e Então Corra

Fique Onde Está e Então Corra - John Boyne

Fique Onde Está e Então Corra - John Boyne
Sinopse - Editora Seguinte - 2014 - 224 páginas


“Fique Onde Está e Então Corra”, escrito por John Boyne e publicado pela editora Seguinte, conta a história de Alfie Summerfield, que completou cinco anos de idade no dia em que a Primeira Guerra Mundial começou. Na ocasião ele não entendeu bem o que estava acontecendo, poucas pessoas apareceram no seu aniversário e só mais tarde Alfie descobriu o que a guerra é capaz de causar na vida de um menino inocente.

O pai de Alfie alistou-se no exército como voluntário, logo na primeira semana; sua melhor amiga Kalena foi levada para longe acusada se não ser inglesa, mesmo tendo nascido na rua onde ele morava; Alfie percebeu que sua mãe estava se matando de trabalhar para sustentar a casa (o que o levou a começar a engraxar sapatos por conta própria na estação King Cross) e viu Joe Pattience, seu vizinho, ser preso ao recusar-se a ir para a guerra.

“Que tipo de idiota não teria medo de ir a um país desconhecido cavar trincheiras e matar tantos estranhos quanto pudesse antes que outro estranho o matasse? (…) Mas não foi o medo que me impediu de ir, Alfie. (…) Não fui colocado nesse mundo para matar meus semelhantes.” [Joe]

Mas o que mais abalou Alfie foi ler, escondido da sua mãe, as cartas que seu pai enviou da guerra, elas foram escritas de forma confusa, um tanto quanto desesperadas, Alfie pensava que seu pai estava morto, mas sua mãe dizia que ele estava em batalha. Porém, num dia de trabalho como engraxate, ele descobriu uma pista de onde seu pai poderia estar e decidiu juntar tudo o que tinha (suas economias e sua coragem) para procurá-lo.

“Eu não digo às outras pessoas o que elas deveriam fazer. Não digo a elas o que deveriam e o que não deveriam pensar. Apenas vivo a minha vida. Seu pai é um homem corajoso e fez o que achava ser certo. Mas eu também sou um homem corajoso. Você talvez não acredite nisso, Alfie. (…) Mas eu sou.” [Joe]

Eu amei muito essa história, desde Alfie, o protagonista, com toda sua inocência (característica dos personagens de John Boyne), curiosidade, coragem e esperteza, até Kalena, Joe (meu personagem preferido), a mãe de Alfie e sua avó. No trabalho de engraxate de Alfie, muitos personagens apareceram na história e cada um tinha alguma característica marcante que ajudava o leitor entender algum detalhe dentro do livro ou até mesmo dentro da História.

Os cenários foram muito bem escolhidos pelo autor, adorei o fato de quase todos os personagens viverem na mesma rua, é como se morássemos lá também e conhecêssemos nossos vizinhos; gostei da estação King Cross ter aparecido (a mesma a estação de Harry Potter) e de um certo hospital, que teve uma participação importante na história .

O legal deste livro é que o autor conseguiu mostrar todo o mal que uma guerra traz sem mostrar o campo de batalha, apenas com as consequências na vida de um garoto, sua família e amigos. John Boyne também retratou a neurose de guerra, uma doença adquirida pelos soldados quando voltavam da batalha que os deixavam em choque e apavorados, em constante estado de tensão, fazendo com que muitas de suas falas não fizessem sentido, isso foi muito interessante e encaixou-se perfeitamente no enredo.

Depois que li “O Menino no Alto da Montanha” (resenha aqui), tive muita vontade de ler outras obras de Boyne, por isso escolhi “Fique Onde Está e Então Corra” e gostei ainda mais desse livro do que do primeiro (até o favoritei no Skoob). Estou muito animada para ler mais obras do autor, principalmente seu livro mais famoso, “O Menino do Pijama Listrado”. Para quem gosta de histórias que se passam durante guerras ou que envolvam crianças, recomendo este livro!

Essa leitura foi uma cortesia da Editora Seguinte.
Aguardamos seus comentários! Beijos...

[Resenha] Mundo sem Fim

Mundo sem Fim - Ken Follett

Mundo sem Fim - Ken Follett
Sinopse - Editora Arqueiro - 2015 - 1136 páginas


Se em Pilares da Terra, Ken Follet nos conduziu a Kingsbridge para nos contar sobre a construção de catedrais e a busca do “Santo Graal”, em Mundo sem Fim ele nos faz retornar ao “Priorado de Kingsbridge” 200 anos depois e nos inicia na “construção” de relacionamentos e realização de sonhos.

Quando Caris, Merthin, Ralf e Gwenda presenciam um assassinato na floresta e fazem um pacto de silêncio, sequer imaginam que suas vidas iriam mudar drasticamente a partir daquele dia e muito menos que estariam ligados dramaticamente pelos laços invisíveis do eterno retorno.

Follet concentra a temática nas relações de poder sob o Priorado, e na jornada dos quatro heróis que enfrentam inúmeros obstáculos para realizar seus desejos atuais e objetivos futuros, em uma saga que tem início em 1327 e declina em 1361, período em que a Europa foi assolada tanto pela guerra dos 100 anos, como pela terrível epidemia da peste.

Conspirações, intrigas, traições, ganancia, fanatismo religioso, erotismo...

A intrigada trama, com inúmeras personagens secundárias, abre um leque contínuo de antagonistas em conflito com os carismáticos protagonistas Caris, Merthin e Gwenda, mas é em Ralf que encontraremos um paradoxo, o bonitão “bad boy”, também atormenta a vida dos três com um antagonismo maquiavélico, principalmente a de Gwenda, aliás eles tem uma estranha ligação, passional, secreta, de vida e morte.

Diante da infinidade de informações a que somos apresentados, a fim de nos aclimatarmos ao ritmo da cidade (enredos entre as forças que a movem, cultura, política, etc...), mesmo sendo narrado em 3ª pessoa, sob o ponto de vista dos protagonistas, o Livro 1 parece mais denso, a leitura não flui, afinal estamos penetrando na mente de diversas personagens, seus medos, dúvidas, anseios, desejos, isso causa certo peso. Ai que preguiça... mas aos poucos o livro vai tomando corpo e força, logo estamos grudados nele e então ele acaba: Ohhh! Com uma conclusão de tensão explosiva de surtar... Ahhh! Ainda bem que o Livro 2 já está em mãos... Ufffa!

Em compensação no Livro 2 o ritmo muda, tudo flui, afinal já estamos totalmente envolvidos, conhecemos todo mundo, já sabemos quem são os mocinhos e os bandidos,  torcemos, sofremos e amamos com nossas personagens favoritas. Yes! Eles já estão mais experientes com os vilões e o jogo se equilibra e... UAU! É uma trama ferozzzzzzz! E as [várias] cenas  de sexo... ousadíssimas. Hahaha!

Caris e Merthin [ah! Os ruivos] foram os meus queridinhos, abominei Godwyn e Philemon com suas reviravoltas ardilosas e covardes; como não admirar o amor incondicional de Gwenda por Wulfric? São muiiiiiitas emoções, tantos confrontos com escolhas difíceis, na maior parte das vezes: trágicas.

No que refere-se ao ápice da epidemia... Gente, fala sério, as descrições Merthin de como as pessoas se transformaram me remeteram à barbárie de Artaud [a peste] e me fizeram retornar à minha amada Macondo [Cem anos de solidão] ou seja: bizarras, inquietantes, impactantes.

Assim esse Mundo chega ao Fim e nos leva a uma profunda reflexão sobre relacionamentos, verdades, mentiras, omissões, desejos secretos, o poder do amor, de como criar oportunidades através dos obstáculos e enfim realizar sonhos.

Envolvente, surpreendente, transformador, apaixonante!
Abram seus horizontes para essa excelente leitura.
Amei!


OBS: a obra possui 1136 páginas divididas em 2 livros, que são vendidos juntos nesse box.

Essa leitura foi uma cortesia da Editora Arqueiro.
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[Resenha] A Fragrância da Flor do Café

A Fragrância da Flor do Café - Ana Veloso

A Fragrância da Flor do Café - Ana Veloso
Sinopse - Editora Jangada - 2015 - 536 páginas


A magnífica autora Ana Veloso, é de origem alemã e morou no Rio de Janeiro por muitos anos, ocasião em que efetuou a extensa pesquisa que documenta o maravilhoso “A Fragrância da Flor do Café”, portanto é a segunda autora estrangeira que leio este ano que descreve nosso país e principalmente nossa cultura, de forma brilhante e visceral.

Ambientado na transição entre a suntuosidade do latifúndio dos barões do café e a abolição da escravidão no Brasil, a narração em 3ª pessoa nos apresenta Vitória Silva e Léon de Castro em uma polaridade de soltar faíscas hahaha! Ela, uma jovem sinhá mimada e voluntariosa, ele um jornalista abolicionista “lindo de tirar o fôlego” mas totalmente contrário aos interesses do latifúndio, ou seja, inimigos naturais que serão flechados e enredados em uma paixão fulminante.

“ O desejo de ambos era mais forte que a razão... bastava que Léon roçasse levemente o braço de vitória para que o corpo dela estremecesse.”

Entremeado a essa paixão proibida e encontros tórridos dos protagonistas, o romance nos coloca no centro da transição histórica da abolição, fatores econômicos, políticos, sociais e culturais; a resistência dos barões mesmo na eminência da queda, as fugas e resistência dos escravos negros por sua liberdade e igualdade, principalmente sob o ponto de vista de Felix, um jovem escravo fugitivo da Fazenda Boa Vista, propriedade dos Silva.

Dividido em três partes, o romance a princípio nos coloca diante da riqueza e luxo em que viviam os grandes senhores negreiros do Vale do Paraíba, o esnobismo, racismo predominante, bailes e paixões adolescentes; apesar do tema pesado, a prosa é suave e apaixonante.

Na parte dois, diante da queda, a família Silva parte para o Rio de Janeiro onde já encontra-se Vitória, que tornou-se uma mulher muito rica graças a sua inteligência e estratégia, situação rara para uma mulher na citada época, que torna-se um ícone negativo de seu grupo social. Somos confrontados com a absurda e revoltante situação dos negros, a exclusão que viviam mesmo os alforriados e a luta para sobreviver em uma sociedade racista.

A parte três é a mais densa, “emoções a flor da pele”, apesar de Vitória estar com 22 anos, já carrega “o peso” de uma vida inteira, belíssima, riquíssima e infeliz por quê? Porque é teimosa e em sua sede de competir com Léon ou mesmo de castigá-lo, acaba magoando a si mesma e o pior, a todos em seu entorno, entretanto um acontecimento trágico lhe fará reavaliar seus valores e dará um novo sentido à família Silva.

Me surpreendi com a qualidade desta leitura, é quase palpável a riqueza de detalhes tanto dos locais quanto dos sentimentos das inúmeras personagens inesquecíveis, como Vitória, Léon, Felix, Pedro, Aaron, Joana, Luíza, Alma e Fernanda, entre outros. O final é edificante e românnnnnntico.

Emocionante, denso, envolvente...
Excelente Leitura!

Essa leitura foi uma cortesia do Grupo Pensamento.
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[Resenha] A Irmandade Perdida

A Irmandade Perdida - Anne Fortier

A Irmandade Perdida - Anne Fortier
Sinopse - Editora Arqueiro - 2015 - 528 páginas


Duas mulheres determinadas dividem a cena em “A irmandade perdida” de Anne Fortier, que nos conduz a uma busca emocionante repleta de mistérios e aventuras, com momentos eletrizantes e cenários deslumbrantes. Apesar do tempo milenar que as separa, Mirina e Diana enfrentam dilemas semelhantes ao longo de uma fascinante jornada de sobrevivência, resistência, paixão e apoderamento feminino.

Ambientado na região do Mediterrâneo, o enredo alterna-se entre 1250 a.C. e os dias atuais, e para melhor seguir a rota de nossas protagonistas temos um mapa logo nas primeiras páginas [perfeito], portanto somos guiadas de desertos a palácios grandiosos, de escavações arqueológicas a hotéis suntuosos; o mundo ancestral de Mirina é repleto de perigos, seitas bizarras e homens selvagens, Diana por sua vez é tragada por sua curiosidade em uma rede de ambição, poder, corrupção e homens perigosos.

Uma busca alucinante que vai encantar apaixonados por mistério, ação e aventura...

A narração segue duas vertentes, nos dias atuais Diana narra em 1ª pessoa suas aventuras, com flashes de sua infância ao lado da avó [e seu misterioso diário] e de Rebecca [sua grande e inseparável amiga] coadjuvante de relevância na trama; em 1250 a.c a narração em 3ª pessoa sob o ponto de vista de Mirina, nos envolve em treinamentos, lutas, e na mais famosa batalha da mitologia grega: A guerra de Troia. Nas duas vertentes o ritmo é dinâmico, conclusões enigmáticas a cada capítulo nos lançam de um mundo a outro de forma instigante. Assim aos 3 primeiros capítulos já sabemos: impossível largar essa leitura.

“ Eu sou uma amazona, matadora de animais e de homens. A liberdade corre em minhas veias; corda nenhuma pode me prender. Eu nada temo; é o medo que foge de mim. Ando sempre para frente pois esse é o único caminho. Quem tentar me impedir sentirá a minha fúria.”

Mirina é uma caçadora que pela força dos acontecimentos transforma-se em uma amazona, Diana é uma filóloga em busca elementos para comprovar a existência das amazonas, um artefato as une através dos tempos. Neste sentido a autora entrelaça de forma lúdica a mitologia grega ao enredo e insere Mirina na corte do Rei Minos, em Micenas com Agamenon, no mito do rapto de Helena que redundará na Guerra de Troia e faz uma alusão aos 12 trabalhos de Hércules no território em que hoje situa-se a Finlândia. Portanto essa é a rota que Diana segue nos dias de hoje rumo a seu incansável objetivo.

Diana também desenvolve-se no decorrer da jornada, a acadêmica pomposa de Oxford aos poucos torna-se uma “Indiana Jones” de saias, principalmente depois de conhecer [o gatíssimo] Nick Barrán, mesmo considerando-o “indigno de confiança” [ele sem dúvida acelera seus hormônios hahaha!], ao seu lado ela enfrenta sem temor inúmeros perigos e por mais de uma vez se depara com grandes enrascadas. Juntos enfrentarão inimigos ardilosos, ameaças mortais e finalmente descobrirão que sua busca envolve o segredo de suas origens.

“ - Eu fiz tudo que pude para não me apaixonar por você.
Essas palavras me provocaram uma felicidade ridícula.”

Muitas surpresas a cada capítulo, personagens envolventes,
romances passionais, descobertas, reviravoltas e um final surpreendente.
Sensacional! Super recomendo a leitura.

Essa leitura foi uma cortesia da Editora Arqueiro
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[Resenha] O Labirinto no Fim do Mundo

O Labirinto no Fim do Mundo - Marcello Simoni

O Labirinto no Fim do Mundo - Marcello Simoni
Sinopse - Editora Jangada - 2015 - 392 páginas


Este é o terceiro livro do autor italiano Marcello Simoni, que tem como protagonista o mercador de livros Ignazio de Toledo, um típico “Indiana Jones” da Idade Média. A obra nos transporta à uma imersão em inúmeros mistérios, segredos seculares, ritos bizarros, conhecimentos perdidos, mas é principalmente a habilidade do autor em entrelaçar aventura e suspense em reviravoltas de tirar o folego, que nos faz devorar a leitura.

Ambientada na Europa Medieval, a trama nos conduz a uma “caçada” de Paris à Palermo, e somos literalmente envoltos em misteriosos assassinatos ligados a uma relíquia que pode nos conduzir ao mestre de um antigo culto ancestral e pagão, imaginem isso sob a forte pressão religiosa da época, e ainda tendo como antagonista “o investigador dos desvios heréticos” do papa Gregório IX: Konrad von Marburg, considerado um dos primeiros e mais fanáticos inquisidores da história.

“Porque, de fato, Konrad era uma fera. Tinha o olhar dos predadores noturnos e as mandibulas dos animais carnívoros. Ainda assim Marburg disfarçava sua agressividade com manipulações verbais tão sutis quanto traiçoeiras. Cada palavra que proferia era uma armadilha; cada gesto que esboçava, um entremostrar de garras. Desse modo, acuava suas vítimas antes de cravar as presas no pescoço delas.”

Diante do gigantismo de Konrad, que abre o prólogo e já mostra ao que veio [brrrrrr!], seus perseguidos “hereges” não deixam nada a desejar: Suger de Petit-Pont, o ganancioso médico francês, com o qual ficamos a par de como a medicina era perseguida pela igreja sobretudo na França; Michele Scoto, o alquimista, astrólogo e ocultista escocês; Ignazio de Toledo, mercador de relíquias e grande conhecedor das ciências herméticas. Assim, de igual para igual, os espadachins usarão suas mentes afiadas em um jogo mortal.

O ritmo é frenético, a narrativa fluente, esclarecedora e dinâmica, as descrições evocam o clima perfeito, seja na descrição dos lugares, cultura, vestiário, mobilidade, etc... mas “a cereja do bolo” é a ênfase à religiosidade da época, no que tange ao seu efeito psicológico até sobre os homens mais versados [cultos] diante do terror das fogueiras... e mesmo assim, a necromancia corria solta hahaha! A magia, como veremos no decorrer do livro, sempre foi a paixão oculta de médicos, ocultistas e alquimistas, mas sobretudo do clero.

Como o conteúdo medieval concentra-se na maior parte das vezes em uma temática mais patriarcal, logo intuitivamente mais direcionada ao público masculino, talvez isso tenha influenciado o autor quanto ao desenvolvimento das personagens femininas: Ermelina [a mais arrojadinha], Adelísia, Brunhilde e a curandeira Aquanegra, que limitam-se ao esteriótipo feminino da época, e apenas como personagens secundárias sem grandes atuações.

Trata-se de uma jornada em busca do desconhecido, de segredos arcanos e poder, deste modo algumas “chaves” vem de brinde com a leitura já que o autor copila e cita personagens, dados históricos e arqueológicos [vide adendo], entrelaçando-os a sua envolvente e imaginativa trama repleta de mistério, suspense, aventuras e desventuras até que finalmente Ignazio se defronta com o maior e mais cobiçado enigma das escolas de mistério: O labirinto no fim do mundo.

Excelente leitura!

Livros do autor publicados pela Jangada:



O Mercador de Livros Malditos
A Biblioteca Perdida do Alquimista
O Labirinto no Fim do Mundo

Essa leitura foi uma cortesia do Grupo Pensamento.
Aguardamos seus comentários! Beijos...

[Resenha] O Resgate no Mar (Parte II)

O Resgate no Mar (Parte II) - Diana Gabaldon

O Resgate no Mar - Diana Gabaldon
Série Outlander - Livro 03 (Parte II)
Sinopse - SDE Brasil - 2015 - 656 páginas


Como era de se esperar, a história de O Resgate no Mar (Parte II) continua exatamente do ponto em que parou na Parte I (resenha aqui) –  afinal o livro foi desmembrado em dois, até por comodidade de leitura – portanto, em De volta para casa, Jamie e Claire finalmente retornam a Lallybroch, entretanto vinte anos se passaram e a recepção de Claire por Jenny prenuncia que o tempo às vezes contamina antigas lealdades.

Por influencia de Jenny, Jamie casou-se novamente, um casamento por conveniência que colocará em cheque o grande amor dos dois protagonistas, que enfrentarão consequências passionais pelo seu reencontro e mesmo uma “quase” separação” diante da omissão de Jamie. Entretanto, será a consequência que religará os dois amantes e os levará à busca que redundará na perda de Ian e enfim, à maior de todas as aventuras nos mares das Índias ocidentais.

Desta vez a ambientação é marítima, em alto mar eles enfrentarão desde o clássico mal estar de Jamie, uma epidemia em um navio da Coroa Inglesa, Tubarões e Piratas; Claire correrá risco de vida diante de um ferimento mortal para proteger Marsali, enteada de Jamie.

Portanto neste tomo temos muiiiiiiita aventura, o passado vai sendo revelado via confissões de alcova entrelaçadas a momentos de luxuriante prazer, hahaha! Situações hilárias permeiam as cenas, principalmente no que tange ao Sr.Willoughby, que mostra-se uma personagem de múltiplas facetas, envolvendo situações que vão do exótico ao bizarro.

Creio que a grande sacada da autora são as reviravoltas em que retoma personagens do passado como Laoghaire e John Grey, em suas versões vinte anos depois, principalmente pelo conflito que estabelece quanto aos vínculos do passado de Jamie, que Claire desconhece [ele omitiu, hummmm!], esse estranhamento desestrutura as convicções de Claire, que chega mesmo a duvidar da fidelidade e amor de Jamie.

“ – Ossos dos meus ossos – sua voz era grave e rouca. Ele se ajoelhou subitamente diante de mim e colocou suas mãos entrelaçadas diante das minhas; o gesto de um escocês das Terras Altas ao jurar lealdade ao seu líder -  Eu lhe dou meu espírito – disse ele, a cabeça inclinada sobre nossas mãos.”

Juramentos à parte, “pobre Claire”, é preciso confiar muiiiiiito no seu taco para ter exclusividade sobre Jamie Fraser, o escocês mais cobiçado de todos os tempos.

As descrições do tráfico de escravos são bizarras, Claire revolta-se e chega mesmo a comprar um escravo, que liberta “of course”: para o futuro talvez, hahaha!

Já nos aproximamos dos últimos capítulos e nada de Ian OMG... Quem ressurge dos mortos é tam, tam, tam, tam: Geillis [a bruxa, lembram?] ressurge, louca, linda e gorda [como as estatuetas da Grande Mãe megalítica]. Obcecada pela causa dos Jacobitas e por viagens no tempo, ela tem uma agenda que vai deixar os Fraser de cabelo em pé, e eles terão de juntar suas forças para proteger o futuro a fim de poder desfrutar do presente que enfim nos promete: O Novo Mundo.

SENSACIONAL!
Devoramos sem restrição... Amei.


Essa leitura foi uma cortesia da Saída de Emergência Brasil.
Aguardamos seus comentários! By.:.

[Resenha] O Resgate no Mar (Parte I)

O Resgate no Mar - Diana Gabaldon

O Resgate no Mar - Diana Gabaldon
Série Outlander - Livro 03 (Parte I)
Sinopse - SDE Brasil - 2015 - 592 páginas


O Resgate no Mar é o livro três da aclamada saga Outlander, e foi dividido em duas partes, nesta Parte I, Gabaldon desde o princípio já nos surpreende com uma variação narrativa, posto que nos tomos anteriores concentrava-se sob o ponto de vista de Claire Randall, e neste já principia sob o ponto de vista de Jamie Fraser nos escombros da Batalha de Culloden.

Entre a curiosidade e misteriosas deixas de capítulo a capítulo, alternaremos entre as épocas de 1746 e 1968, que referem-se aos vinte anos subsequentes à milagrosa sobrevivência de Jamie e a busca de Claire por vestígios históricos de que Jamie possa ter sobrevivido à batalha, auxiliada pelo agora historiador Roger Wakefield e sua filha Brianna.  

No que tange as aventuras de Jamie, é cativante a intensidade das reviravoltas que envolvem a vida do mais belo herói escocês de todos os tempos, desejado e cobiçado ele segue arrebatando corações não só de nobres mulheres, mas até de ilustres cavalheiros hahaha!

Claire, por outro lado, nos “confidencia” como enfrentou as responsabilidades de ser mãe, estudante de medicina em um mundo machista, e esposa de um renomado acadêmico. Aliás, o peso destas responsabilidades são relatadas de modo intimista como se fossem um preço a ser pago, tanto por seu sumiço de três anos como por ter retornado grávida de Brianna, mas principalmente por jamais ter esquecido Jamie Fraser, aquele que ela acredita ser verdadeiramente seu destino.

Com uma temática voltada aos efeitos do tempo sobre as pessoas - desde físicas, mas sobretudo as psicológicas diante das experiências vividas -, a autora ressalta o amor e de que forma esse sentimento resiste a essas transformações.

“Eu vira, ouvira e sentira o suficiente, durante as poucas horas da noite, para ter absoluta certeza de que o Jamie Fraser que eu conhecera ainda existia. Restava saber quantos outros homens ele poderia ser agora.”

Cenas quentes, diálogos divertidos, mistério, ação, aventura, personagens que são retomados anelando-se a trama de forma inteligente e perspicaz demonstram o brilhantismo de Gabaldon, que evolui tanto em sua escrita como no desenvolvimento de suas personagens, que a cada livro tornam-se mais apaixonantes.

Com um final a beira do caminho, mais de certa forma fechado, pois encerra mais uma das façanhas do clã “pirata” Fraser, cumprindo o primeiro turno do título “O Resgate no Mar”, só nos resta devorar a parte II do livro três, que promete emoções arrebatadoras.

“Eu me sentia como se estivesse rolando nas ondas de uma arrebentação, à mercê de forças muito mais poderosas do que eu.”

Irresistivelmente viciante...


Essa leitura foi uma cortesia da Saída de Emergência Brasil.
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[Resenha] Soldier: Leal até o Fim

Soldier - Leal até o fim - Sam Angus

Soldier: Leal até o Fim - Sam Angus
Sinopse - Novo Conceito - 2015 - 256 páginas


“Soldier: Leal até o Fim”, do autor Sam Angus, é uma história que se passa durante a Primeira Guerra Mundial, entre os anos de 1917 e 1918. Este livro foi baseado nos relatos de pessoas que participaram da guerra e tiveram contato com os cães que o exército utilizava nas batalhas.

A história começa quando Rocket, a cadela de Stanley, engravida após fugir de casa. O pai de Stanley fica muito bravo com isso, pois Rocket é uma corredora que ganhou vários prêmios e não será mais a mesma depois de ter filhotes. Ele adverte o filho que, assim que os cachorrinhos nascerem, os levará para os ciganos, pois não admitirá nenhum cão mestiço em sua casa.

Rocket dá a luz a três cadelinhas e um cãozinho pequeno, que quase morre na hora do nascimento, então Stanley dá a ele o nome de Soldier (soldado, em inglês) em homenagem ao seu irmão mais velho, Tom, que está lutando nas trincheiras da França. Como avisado, seu pai leva os filhotes para os ciganos, mas eles só aceitam as cadelinhas e Stanley volta para casa com Soldier. O pai dele ameaça afogar o filhote e a relação entre pai e filho, que já não era boa, só vai piorando, até que Stanley decide fugir de casa com Soldier e se alistar no exército para conseguir ficar perto de Tom.

Na manhã de sua fuga, Stanley acorda e não encontra nem a carroça de seu pai, nem Soldier. Imediatamente ele se lembra do que o pai disse e corre até o lago, na esperança de chegar a tempo de impedir a morte de Soldier. Mas quando ele chega, vê o pai indo embora e percebe que talvez tenha sido tarde demais, pois o pai provavelmente afogara o filhote. Stanley fica ainda mais decidido a fugir e deixar tudo para ir atrás do irmão.

“Sempre serei grato por você ser muito jovem para vir para a a guerra – porque o mundo nunca mais será o mesmo para quem esteve aqui.”

Na guerra, Stanley vira um Adestrador de Cães Mensageiros e a história tem partes bens angustiantes, como nos momentos em que ele fica nas trincheiras e os cachorros treinados saem para fazer seu trabalho de transmitir mensagens, enquanto os soldados permanecem horas acordados, esperançosos, prontos para atacar e torcendo para que os cachorros voltem com informações, sem saber direito onde e quando seriam atacados, se seus companheiros de outras trincheiras estavam vivos ou mortos, se eles estavam em uma situação boa ou não. O período da “guerra das trincheiras” foi bem tenso e cruel.

A narrativa é feita em terceira pessoa pelo ponto de vista de Stanley e no começo de cada capítulo, consta a data e o local onde ele está. Por ser um livro que fala sobre a guerra imaginei que a narrativa seria pesada, mas me enganei, a história flui bem e qualquer pessoa a entenderá sem dificuldades.

Stanley é um personagem que me agradou bastante, tudo bem que foi imprudente ao se alistar pra guerra com catorze anos, mas ele também teve seus momentos de coragem, arrependimentos, dúvidas, vontade de desistir e voltar atrás... Stanley acaba o livro sendo uma outra pessoa, mudando sua forma de pensar, sendo mais compreensivo e mais forte por dentro. E mesmo não gostando tanto assim de cachorros, me apaixonei por Soldier. Ainda pequeno o caõzinho tinha uma ligação forte e linda com Stanley e não saía de perto do garoto, ele o amava mesmo e era muito fiel ao dono.

O livro é um pouco triste mas não me fez chorar, talvez pessoas mais sensíveis chorem, porém não é nada que algumas páginas à frente não resolvam. Minha tristeza se dispersou um pouco com as revelações que surgiram no final!

“O cão deve querer estar com você. (…) Se ele amar você, vai correr para casa (…) mesmo através de nevascas de estilhaços de ferro.”

Além de me entreter, esse livro me ajudou a compreender melhor como os soldados viviam e como eram as trincheiras, além de me ensinar coisas sobre a Primeira Guerra que eu não sabia, como por exemplo, a utilidade dos cães como mensageiros na hora em que todos os homens já haviam desistido (ou morrido)! Recomendo a leitura!

Essa leitura foi uma cortesia da Editora Novo Conceito.
Aguardamos seus comentários! Beijos... 

[Resenha] Vango - Entre o Céu e a Terra

Vango - Entre o Céu e a Terra - Timothée de Fombelle

Vango - Entre o Céu e a Terra - Timothée de Fombelle
Série Vango - Livro 01
Sinopse - Editora Melhoramentos - 2015 - 360 páginas


Essa história começa em 1934, na Catedral de Notre-Dame, em Paris, quando Vango está prestes a se tornar padre e a polícia interrompe a cerimônia à sua procura. Sem saber o motivo de estarem atrás dele, Vango foge e uma verdadeira perseguição começa, ele consegue escapar pelo telhado da catedral, enquanto um misterioso atirador que estava na praça erra o tiro que acabaria com sua vida.

Depois disso, Vango imediatamente procura o Padre Jean, seu professor, para escutar seus conselhos, mas quando chega em seus aposentos, percebe que ele está morto e deixou uma mensagem escrita em latim: Fugere Vango/ Fugir Vango. Vango é acusado de matar Jean e além da polícia estar atrás dele, ele precisará provar que é inocente e também descobrir um pouco sobre seu passado misterioso para conseguir entender o que está acontecendo.

A partir de então a vida de Vango ficará muito mais perigosa, ele reencontrará velhos amigos e conhecidos que irão ajudá-lo, como por exemplo, Hugo Eckener, Gata, Zéfiro e Ethel, e enfrentará perigos e momentos de tensão todos os dias!

Vango: Entre a Terra e o Céu” tem uma narrativa diferente e muito bem escrita, ela é em terceira pessoa e alterna entre o ponto de vista de vários personagens diferentes. Sempre que aparecia um personagem novo, não entendia de imediato qual seria o seu papel na história e se seria amigo de Vango ou não, mas depois de um tempo, as ligações entre eles surgiam e tudo ficava esclarecido. A trama é super elaborada!

Vango Romano é um personagem maravilhoso e rico, que foi bem explorado na história. Ele tem 20 anos, não é de falar muito e nada sabe sobre o lugar onde nasceu. Criado numa ilha por sua babá Mademoiselle, aprendeu a falar cinco línguas diferentes, além de andar por cima de telhados e escalar, mas não se lembra de sua família. Foi legal acompanhar Vango enquanto ele tentava descobrir seu passado.

Meu personagem preferido sem dúvida foi Hugo Eckener, além de ser o piloto do dirigível Graf Zeppelin (que era uma sensação na época), ele também foi o único no livro que fez seu protesto contra o nazismo. A parte legal é que Eckener realmente existiu, assim como o Zeppelin, o autor só fez uma ligação ficcional dele com o Vango, eu adorei esta ligação e fiquei curiosa para conhecer mais sobre esse piloto e seu dirigível!

Outra personagem que adorei foi Ethel, uma velha amiga de Vango, ela estava na praça durante a cerimônia que transformaria Vango em padre e conseguiu ver o rosto do atirador. Ethel tem só 16 anos, mas é a personagem mais diva da história, adorei a sua determinação e as respostas que ela deu para algumas pessoas!

A diagramação do livro é maravilhosa, desde a parte interna da capa que é laranja e tem desenhos de nuvens, até as letras do texto, impressas em vermelho. Também gostei bastante do mapa e da linha do tempo, o mapa mostra onde fica a ilha em que Vango cresceu, e a linha do tempo aponta os acontecimentos importantes do mundo e da vida do Vango.

No final do livro, em “A História Dentro da História”, o autor fala dos personagens reais citados no enredo, e tem até mesmo a mini biografia de cada um deles e algumas fotos, além de um texto resumido falando das duas Grandes Guerras, a Crise de 1929 e alguns outros acontecimentos da época. Achei bem interessante e gostei bastante!

Vango: Entre a Terra e o Céu” me surpreendeu muito, gostei demais das cenas de perseguição, elas foram super bem escritas e deixaram o enredo cheio de ação! O final não foi fechado e nada foi solucionado, então é claro que ainda estou super curiosa! Tenho certeza que o segundo livro “Vango: Um Príncipe sem Reino” será ainda melhor e com mais descobertas e perseguições, mal posso esperar para ver como essa história vai terminar!

Existem portas tão fechadas que nem as vemos mais, tal é o medo que temos de abri-las. Colocamos móveis na frente delas, tapamos totalmente a fechadura. Talvez só as crianças possam ver, agachadas, a réstia de luz vermelha na fresta da porta e perguntem o que haveria por trás dela.”

Recomendo para quem gosta de História!

Série Vango


1. Entre ciel et terre (2010) - Vango - Entre o Céu e a Terra (2015)
2. Un prince sans royaume (2011) - ainda não publicado no Brasil


Essa leitura foi uma cortesia da Editora Melhoramentos.
Aguardamos seus comentários! Beijos...