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[Resenha] O Labirinto no Fim do Mundo

O Labirinto no Fim do Mundo - Marcello Simoni

O Labirinto no Fim do Mundo - Marcello Simoni
Sinopse - Editora Jangada - 2015 - 392 páginas


Este é o terceiro livro do autor italiano Marcello Simoni, que tem como protagonista o mercador de livros Ignazio de Toledo, um típico “Indiana Jones” da Idade Média. A obra nos transporta à uma imersão em inúmeros mistérios, segredos seculares, ritos bizarros, conhecimentos perdidos, mas é principalmente a habilidade do autor em entrelaçar aventura e suspense em reviravoltas de tirar o folego, que nos faz devorar a leitura.

Ambientada na Europa Medieval, a trama nos conduz a uma “caçada” de Paris à Palermo, e somos literalmente envoltos em misteriosos assassinatos ligados a uma relíquia que pode nos conduzir ao mestre de um antigo culto ancestral e pagão, imaginem isso sob a forte pressão religiosa da época, e ainda tendo como antagonista “o investigador dos desvios heréticos” do papa Gregório IX: Konrad von Marburg, considerado um dos primeiros e mais fanáticos inquisidores da história.

“Porque, de fato, Konrad era uma fera. Tinha o olhar dos predadores noturnos e as mandibulas dos animais carnívoros. Ainda assim Marburg disfarçava sua agressividade com manipulações verbais tão sutis quanto traiçoeiras. Cada palavra que proferia era uma armadilha; cada gesto que esboçava, um entremostrar de garras. Desse modo, acuava suas vítimas antes de cravar as presas no pescoço delas.”

Diante do gigantismo de Konrad, que abre o prólogo e já mostra ao que veio [brrrrrr!], seus perseguidos “hereges” não deixam nada a desejar: Suger de Petit-Pont, o ganancioso médico francês, com o qual ficamos a par de como a medicina era perseguida pela igreja sobretudo na França; Michele Scoto, o alquimista, astrólogo e ocultista escocês; Ignazio de Toledo, mercador de relíquias e grande conhecedor das ciências herméticas. Assim, de igual para igual, os espadachins usarão suas mentes afiadas em um jogo mortal.

O ritmo é frenético, a narrativa fluente, esclarecedora e dinâmica, as descrições evocam o clima perfeito, seja na descrição dos lugares, cultura, vestiário, mobilidade, etc... mas “a cereja do bolo” é a ênfase à religiosidade da época, no que tange ao seu efeito psicológico até sobre os homens mais versados [cultos] diante do terror das fogueiras... e mesmo assim, a necromancia corria solta hahaha! A magia, como veremos no decorrer do livro, sempre foi a paixão oculta de médicos, ocultistas e alquimistas, mas sobretudo do clero.

Como o conteúdo medieval concentra-se na maior parte das vezes em uma temática mais patriarcal, logo intuitivamente mais direcionada ao público masculino, talvez isso tenha influenciado o autor quanto ao desenvolvimento das personagens femininas: Ermelina [a mais arrojadinha], Adelísia, Brunhilde e a curandeira Aquanegra, que limitam-se ao esteriótipo feminino da época, e apenas como personagens secundárias sem grandes atuações.

Trata-se de uma jornada em busca do desconhecido, de segredos arcanos e poder, deste modo algumas “chaves” vem de brinde com a leitura já que o autor copila e cita personagens, dados históricos e arqueológicos [vide adendo], entrelaçando-os a sua envolvente e imaginativa trama repleta de mistério, suspense, aventuras e desventuras até que finalmente Ignazio se defronta com o maior e mais cobiçado enigma das escolas de mistério: O labirinto no fim do mundo.

Excelente leitura!

Livros do autor publicados pela Jangada:



O Mercador de Livros Malditos
A Biblioteca Perdida do Alquimista
O Labirinto no Fim do Mundo

Essa leitura foi uma cortesia do Grupo Pensamento.
Aguardamos seus comentários! Beijos...