Jonathan Strange & Mr. Norrell - Susanna Clarke
Sinopse - Editora Seguinte - 2005 - 824 páginas

A intertextualidade e metalinguagem de Susanna Clarke é no mínimo estonteante e nos conduz a uma jornada inesquecível que entrelaça crítica social, romance gótico, história, folclore, e sobretudo magia de forma magistral. Não é por menos que “Jonathan Strange & Mr. Norrell” inspirou a série de mesmo título na BBC, afinal trata-se de uma obra-prima.
Ambientados na Inglaterra pré-vitoriana, os protagonistas Jonathan Strange e Mr. Norrell, aprendiz de mago e mago respectivamente, tem como objetivo trazer a magia de volta para a Inglaterra.
A narração em 3ª pessoa transmuta-se no decorrer dos três volumes do livro, a declarada referência de Jane Austen, tanto pela crítica social como pela comicidade presente no início até meados da trama, vai dando corpo ao romantismo gótico de Ann Radcliffe [sensacional], de modo que num único livro temos 69 capítulos divididos em:
Volume I - Trata da magia teórica [complementada por notas de rodapé surreais], portanto mais metódico e pragmático, desenha a personalidade de Mr Norrell, sua chegada a Londres e ambição ao posto de “maior e único” mago da Inglaterra ao que estão expostos os “dignos cavalheiros ingleses” que no início precaviam-se pelo refrão: “ Meu senhor, a magia não é respeitável”;
Volume II - Traz o romantismo gótico insinuado pela inserção de Jonathan Strange na trama, combinado com a mitologia feérica dos seres encantados [lendas e folclore borbulham nos rodapés de notas às vezes de um página inteira] e senta que lá vem história dentro da história, Strange bem no estilo “tempestade e ímpeto” luta contra Napoleão ao lado de Lord Wellington, tenta salvar da loucura o Rei George III, aprimora a magia de espelhos e, fascinado pelo Rei Corvo, decide escrever um livro;
Volume III - Firma o conflito entre os magos: maledicência, contra-magia, traições, vilanias, maldições, encantamentos, um inimigo em comum [ou seria incomum], magia de espelhos, magia elemental, magia negra, em uma fusão de narrativas de extraordinária beleza e muitos diálogos, vamos da calma à tormenta, da sanidade à loucura com desfecho espetacular que revela a verdadeira natureza de um mago.
A luta pelo poder presente em todo enredo sob o mote “Dominação versus Submissão”, oferece ao leitor possibilidade de análise e reflexão, e neste sentido percebemos que se as mulheres de Clarke são eclipsadas pelos “super egos” masculinos [que são gigantescos], será apenas para evidenciar a “verdadeira” força e determinação feminina no clímax dos acontecimentos. Pois o véu entre o mundo real e o dos encantados será rompido e não restará pedra sobre pedra... que o diga o Cavalheiro de cabelos de algodão, hahaha, vida longa ao Rei Corvo!
Quanto as personagens, Clarke polarizou suas inúmeras personagens com qualidades e defeitos equivalentes, tanto lordes quanto criados espelham comportamentos que irão do altruísmo a vilania, nenhum deles será poupado, salientarei os que mais me encantaram:
Jonathan Strange: ousado, arrogante, passional e sem limites, é conduzido ao lado obscuro da magia [e vocês não tem noção como é “dark” sua torre]; Mr. Norrell: detentor de antigos conhecimentos, é ponderado por estar ciente dos riscos da magia quando empregada levianamente, mesmo assim ainda escorrega no lado obscuro [quem nunca? Hehehe!]. Por serem tão diferentes ambos se completam e ao mesmo tempo entram em conflito, óbvio! Mas é claro que Lascelles tem um “dedão” nisto; Stephen Black, o criado negro de Sir Walter é um exemplo de honra e lealdade que ninguém segue, ouve ou vê, praticamente um encantado, e falando nisto o Cavalheiro dos cabelos de algodão é um antagonista poderoso e insano; Vinculus é uma lenda a ser revelada, mas Childermass... a todo tempo velado, é o mais misterioso de todos, o embusteiro, e como diz o Tarô: está de todos os lados e por isso tem potencial para conduzir todos os elementos. Entretanto, o Óscar vai para o “Moldador”: O Rei Corvo, ah! Não falarei dele aqui, isso porque a mitologia, enredo, enfim tudo é em função dele na trama e não quero estragar a surpresa dessa leitura magnífica.
O livro é ilustrado, com iluminuras em carvão enfatizando a questão luz e sombra, em determinados momentos hummm! Clarke é brilhante em todos os quesitos, de tal modo que nos faz atravessar o espelho e após essa jornada sabemos o que isso significa. Assim posso descrever Jonathan Strange & Mr. Norrell com uma única palavra:
“ A magia será escrita no céu pela chuva, mas eles não serão capazes de lê-la; A magia será escrita nas faces das colinas de pedra, mas suas mentes não serão capazes de contê-la; No inverno, as árvores estéreis serão uma escrita negra, mas eles não a entenderão...”
Ambientados na Inglaterra pré-vitoriana, os protagonistas Jonathan Strange e Mr. Norrell, aprendiz de mago e mago respectivamente, tem como objetivo trazer a magia de volta para a Inglaterra.
A narração em 3ª pessoa transmuta-se no decorrer dos três volumes do livro, a declarada referência de Jane Austen, tanto pela crítica social como pela comicidade presente no início até meados da trama, vai dando corpo ao romantismo gótico de Ann Radcliffe [sensacional], de modo que num único livro temos 69 capítulos divididos em:
Volume I - Trata da magia teórica [complementada por notas de rodapé surreais], portanto mais metódico e pragmático, desenha a personalidade de Mr Norrell, sua chegada a Londres e ambição ao posto de “maior e único” mago da Inglaterra ao que estão expostos os “dignos cavalheiros ingleses” que no início precaviam-se pelo refrão: “ Meu senhor, a magia não é respeitável”;
Volume II - Traz o romantismo gótico insinuado pela inserção de Jonathan Strange na trama, combinado com a mitologia feérica dos seres encantados [lendas e folclore borbulham nos rodapés de notas às vezes de um página inteira] e senta que lá vem história dentro da história, Strange bem no estilo “tempestade e ímpeto” luta contra Napoleão ao lado de Lord Wellington, tenta salvar da loucura o Rei George III, aprimora a magia de espelhos e, fascinado pelo Rei Corvo, decide escrever um livro;
Volume III - Firma o conflito entre os magos: maledicência, contra-magia, traições, vilanias, maldições, encantamentos, um inimigo em comum [ou seria incomum], magia de espelhos, magia elemental, magia negra, em uma fusão de narrativas de extraordinária beleza e muitos diálogos, vamos da calma à tormenta, da sanidade à loucura com desfecho espetacular que revela a verdadeira natureza de um mago.
A luta pelo poder presente em todo enredo sob o mote “Dominação versus Submissão”, oferece ao leitor possibilidade de análise e reflexão, e neste sentido percebemos que se as mulheres de Clarke são eclipsadas pelos “super egos” masculinos [que são gigantescos], será apenas para evidenciar a “verdadeira” força e determinação feminina no clímax dos acontecimentos. Pois o véu entre o mundo real e o dos encantados será rompido e não restará pedra sobre pedra... que o diga o Cavalheiro de cabelos de algodão, hahaha, vida longa ao Rei Corvo!
Quanto as personagens, Clarke polarizou suas inúmeras personagens com qualidades e defeitos equivalentes, tanto lordes quanto criados espelham comportamentos que irão do altruísmo a vilania, nenhum deles será poupado, salientarei os que mais me encantaram:
Jonathan Strange: ousado, arrogante, passional e sem limites, é conduzido ao lado obscuro da magia [e vocês não tem noção como é “dark” sua torre]; Mr. Norrell: detentor de antigos conhecimentos, é ponderado por estar ciente dos riscos da magia quando empregada levianamente, mesmo assim ainda escorrega no lado obscuro [quem nunca? Hehehe!]. Por serem tão diferentes ambos se completam e ao mesmo tempo entram em conflito, óbvio! Mas é claro que Lascelles tem um “dedão” nisto; Stephen Black, o criado negro de Sir Walter é um exemplo de honra e lealdade que ninguém segue, ouve ou vê, praticamente um encantado, e falando nisto o Cavalheiro dos cabelos de algodão é um antagonista poderoso e insano; Vinculus é uma lenda a ser revelada, mas Childermass... a todo tempo velado, é o mais misterioso de todos, o embusteiro, e como diz o Tarô: está de todos os lados e por isso tem potencial para conduzir todos os elementos. Entretanto, o Óscar vai para o “Moldador”: O Rei Corvo, ah! Não falarei dele aqui, isso porque a mitologia, enredo, enfim tudo é em função dele na trama e não quero estragar a surpresa dessa leitura magnífica.
O livro é ilustrado, com iluminuras em carvão enfatizando a questão luz e sombra, em determinados momentos hummm! Clarke é brilhante em todos os quesitos, de tal modo que nos faz atravessar o espelho e após essa jornada sabemos o que isso significa. Assim posso descrever Jonathan Strange & Mr. Norrell com uma única palavra:
EXTRAORDINÁRIO!
Essa leitura foi uma cortesia da Editora Seguinte.
Aguardamos seus comentários! By.:.





Olá! No ocmeço, o que havia me chamado a atenção, foi a capa, mas ao ler a sua resenha, me interessei bastante pela premissa do livro! E eu não conhecia essa série. Amo livros de fantasia/suspense, sem dúvidas irei lê-lo!
ResponderExcluirBeijos,
http://www.girlfromoz.com.br/
Oi Rosem, eu adoro livros de magia, sempre acho que me prendem facilmente e ai a leitura corre solta.
ResponderExcluirO que mais eu gostei desse livro foi o fatonda critica social. Eubdou muito valor a esses livros, que sempre trazem um conhecimento a mais.
Bom dia !
Oi eu estou louca de paixão por essa capa.
ResponderExcluirEu gostei muito da resenha, parece ser um livro que gostaria de ler, o que eu não gostei é que o livro é ilustrado, amo livros de magia, e fantasia.
Vou com certeza da uma conferida nessa obra.
oi Rosem, o livro é uma ode a magia! do começo ao fim, né? a trama parece ser agradável e da pra ver que você curtiu bastante
ResponderExcluirhttp://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/
Oi
ResponderExcluirGostei muito da capa desse livro, depois veio a sinopse que acabou me conquistando de vez. Quero ler esse livro ;)
Beijinhos
Renata
Escuta Essa
Susanna Clarke para mim é uma excelente escritora tanto que ja ganhou varios premios como Melhor Romance de Estreante. Esta obra deve ser tão boa quanto as suas outras. Um livro de magias e com romance tambem. com certeza vou amar.
ResponderExcluirbjs
tatyana sylva
Nossa, já estava bastante interessada em ler esse livro só pela sinopse, e agora depois de ver essa resenha fiquei ainda mais ansiosa em conferi essa história que parece maravilhosa!
ResponderExcluirConfesso que eu iria comprar esse livro só porque achei a capa bonita, mas depois de ler essa resenha me interessei muito pela história...
ResponderExcluirOlá!
ResponderExcluirBem interessante o livro, lendo a sua Resenha...pq só pela sinopse não me agradou muito!
Mas agora estou curiosa para saber mais sobre todos os mistérios que envolve os personagens!
Valeu!
Um super bjo!
Alê - Bordados e Crochê
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Rosem!
ResponderExcluirFaz tempo que não escuto falar de livros com romance gótico e já aí me interessou.
Depois de sua explanação bem explicitada sobre cada parte fiquei ainda mais curiosa, porque gosto de todos os temas abordados.
“Quem de manhã compreendeu os ensinamentos da sabedoria, à noite pode morrer contente.” (Confúcio)
cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
TOP Comentarista especial de aniversário em abril: com 6 livros 5 ganhadores, participem!
Oi bem interessante esse livro Já vai para minha lista,Adoro romance gotico,estou super curiosa pra conhecer os personagens desse livro.bjs
ResponderExcluirgente eu não conhecia esse livro (ou livros que pelo jeito cada volume é um livro por si só)
ResponderExcluiradoro livro com magia, então são vários pontos positivos.
introdução do neil gaiman??? definitivamente eu quero
obrigada pela indicação
Olá Rosem!!!
ResponderExcluirQue capa linda essa do livro e a história parece ser bastante interessante, gosto de livros de fantasia =)
Porém faz tempo que não leio um livro assim, mas tá na lista já.
lereliterario.blogspot.com