Queer - William S. Burroughs
Sinopse - Companhia da Letras - 2017 - 144 páginas

A escrita bem humorada e crua de Burroughs é viciante, ao mesmo tempo em que nos chocamos com um submundo tóxico, digno dos pesadelos mais surreais, não conseguimos parar de ler, em “Queer” a ambientação é menos bizarra, William Lee (alter-ego de Burroughs) está um tanto contido, mas continua mordaz, ousado, transgressor, ou seja, “à margem”.
“Queer” é o 2º livro de uma trilogia composta por “Junky” [1º] e “Almoço Nu” [3º], que dão inicio à polêmica carreira de Burroughs, um dos mais expressivos autores da “beat generation”. Escrito em 1952 e tendo como foco a temática homossexual, permaneceu impublicável até 1985, e creio que mesmo agora pode causar polêmica desde seu título, pois a apropriação palavra “queer” pelo autor é no sentido pejorativo, ou seja, quase sempre no texto traduzida como “bicha”. Mas muita calma nessa hora... Burroughts adora causar.
Em fuga dos Estados Unidos, Lee vai parar no México e lá em abstinência das drogas mergulha no álcool e encontra o amor, platônico diga-se de passagem, mas como sua natureza analítica não admite frustração, seu foco em conquistar sua presa, “o indiferente Eugene Allerton”, conduz a trama ao ápice da obsessão em uma paixão não correspondida, ou seja, na busca da “ayahuasca”, que “em tese” poderia controlar os pensamentos de Eugene para que enfim, ele pudesse amá-lo. Numa paródia a abstinência de afeto, aos poucos Lee chegará ao fundo do poço da carência.
Como Burroughs tem um senso de humor negro ímpar, quem conhece sua escrita logo começa a entender a correlação que ele está fazendo entre a obsessão amorosa e o vício em drogas, com performances hilárias, qualquer apaixonado vai identificar-se neste sentido, principalmente com os “micos”. Hahaha!
A ação decorre em um mês, intenso, visceral, alucinante e emocionalmente dilacerante. Finda a aventura, Willian Lee retorna a sua terra natal, e voltará ao México dois anos depois, quando o caso Allerton será concluído de forma real e surreal, bem no estilo “enigmas” Burroughs.
Então vem a melhor parte da história, o apêndice, com a introdução de Burroughs da edição de 1985, enfim matamos as charadas que ele nos deixou em “Queer”, e o enigma do amor tão fatal e ao mesmo tempo omisso no enredo, a verdadeira motivação da escrita de “Queer”, a história por trás da história e a correlação com “Junky” e “Almoço Nu”. Sensacional.
Um plus a mais é a primorosa tradução de Christian Schwartz, o cuidado na transcrição dos manuscritos, as preciosas notas, o zelo na preservação da construção do sentido da obra quando correlacionada em sua totalidade, um deleite aos fãs. E essa capa, duvido um leitor de Burroughs que olhe para ela e não diga: “Guilherme Tell”. E faz todo sentido.
“Olhando agora... aquele mês alucinado de lancinante abstinência assume um halo infernal e ameaçador, o mal exalando de bares iluminados por neon, da violência repulsiva, a pistola 45 logo ali sob a superfície.”
“Queer” é o 2º livro de uma trilogia composta por “Junky” [1º] e “Almoço Nu” [3º], que dão inicio à polêmica carreira de Burroughs, um dos mais expressivos autores da “beat generation”. Escrito em 1952 e tendo como foco a temática homossexual, permaneceu impublicável até 1985, e creio que mesmo agora pode causar polêmica desde seu título, pois a apropriação palavra “queer” pelo autor é no sentido pejorativo, ou seja, quase sempre no texto traduzida como “bicha”. Mas muita calma nessa hora... Burroughts adora causar.
“Como um santo ou criminoso procurado que não tivesse nada a perder, Lee ignorava o clamor por limites de sua carne repressora, cautelosa, amadurecida e medrosa.”
Em fuga dos Estados Unidos, Lee vai parar no México e lá em abstinência das drogas mergulha no álcool e encontra o amor, platônico diga-se de passagem, mas como sua natureza analítica não admite frustração, seu foco em conquistar sua presa, “o indiferente Eugene Allerton”, conduz a trama ao ápice da obsessão em uma paixão não correspondida, ou seja, na busca da “ayahuasca”, que “em tese” poderia controlar os pensamentos de Eugene para que enfim, ele pudesse amá-lo. Numa paródia a abstinência de afeto, aos poucos Lee chegará ao fundo do poço da carência.
Como Burroughs tem um senso de humor negro ímpar, quem conhece sua escrita logo começa a entender a correlação que ele está fazendo entre a obsessão amorosa e o vício em drogas, com performances hilárias, qualquer apaixonado vai identificar-se neste sentido, principalmente com os “micos”. Hahaha!
A ação decorre em um mês, intenso, visceral, alucinante e emocionalmente dilacerante. Finda a aventura, Willian Lee retorna a sua terra natal, e voltará ao México dois anos depois, quando o caso Allerton será concluído de forma real e surreal, bem no estilo “enigmas” Burroughs.
Então vem a melhor parte da história, o apêndice, com a introdução de Burroughs da edição de 1985, enfim matamos as charadas que ele nos deixou em “Queer”, e o enigma do amor tão fatal e ao mesmo tempo omisso no enredo, a verdadeira motivação da escrita de “Queer”, a história por trás da história e a correlação com “Junky” e “Almoço Nu”. Sensacional.
Um plus a mais é a primorosa tradução de Christian Schwartz, o cuidado na transcrição dos manuscritos, as preciosas notas, o zelo na preservação da construção do sentido da obra quando correlacionada em sua totalidade, um deleite aos fãs. E essa capa, duvido um leitor de Burroughs que olhe para ela e não diga: “Guilherme Tell”. E faz todo sentido.
Existem lugares que poucos autores nos levam… Burroughs nos leva no mais profundo.
Excelente leitura.
Essa leitura foi uma cortesia da Companhia das Letras.
Aguardamos seus comentários! By.:.
Aguardamos seus comentários! By.:.








Olá!
ResponderExcluirBom dia!
Pela sua resenha, não é um tipo de leitura que curto...fiquei bem em cima do muro, kkkkk
Não sei se leria...
A sua escrita foi ótima! Dá para senti bem a história!
Quem sabe um dia...pois tem uma parte da sua resenha que vc nos conta que tem algo que foi revelado, enfim, curto um certo suspense, kkk, e já fiquei curiosa pra saber, kkkk...vou aguardar mais um pouco hehehe
Um super bjo!
Alê - Bordados e Crochê
Facebook
Twitter
Instagram
Ainda não tinha ouvido falar do autor que é descrito como polêmico e que aborda um tema complexo, mas usa um certo humor negro. Gostei da resenha, mas não acho que seria algo que leria, ao menos não por enquanto. :)
ResponderExcluirapesar da boa indicação e dos comentários elogiosos não vi na trama muito daquilo que gosto e procuro nos livros por agora
ResponderExcluirhttp://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/
Rosem!
ResponderExcluirFico imaginando na época em que foi escrito, o quanto chocou e por isso não foi publicado.
Mesmo na época da publicação nos anos 80, lembro ainda que foi muito questionado, mas ainda assim foi um sucesso, por ser algo inovador e que não era tão divulgado, sem contar que o humor dele, fez toda diferença.
Desejo uma ótima semana!
“ O amor é a sabedoria dos loucos e a loucura dos sábios.” (Samuel Johnson)
cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
TOP COMENTARISTA ABRIL especial de aniversário, serão 6 ganhadores, não fique de fora!
Não conhecia o autor, achei bem diferente do que estou acostumada a ler. Os temas que ele aborda e como aborda ainda mais tendo humor fiquei curiosa em ler. E saber como termina a história de Lee.
ResponderExcluirAchei bem diferente e leria com certeza apesar de não ter lido ainda nada a respeito ainda quero experimentar novas leituras achei legal, no modo divertido mais ainda polemico na época, mas hoje os tempos mudaram.
ResponderExcluirAté mais!!!
O assunto é polêmico até hoje, imagino na época que foi escrito, e mesmo em 1985 quando foi publicado. Não conhecia este livro, mas vou anotar para mais a frente comprar e ler.
ResponderExcluir