12 Anos de Escravidão - Solomon Northup
Skoob - Seoman - 2014 - 232 páginas
Sinopse: A obra que originou o filme 12 Anos de Escravidão retrata a história de Solomon Northup, um homem negro nascido livre nos Estados Unidos, que após ter recebido uma falsa proposta de trabalho, foi sequestrado, drogado e comercializado como escravo, e passou doze anos em cativeiro, trabalhando, na maior parte do tempo, em uma plantação de algodão na Louisiana. Após seu resgate, Northup, com uma escrita simples e ágil, retrata os registros excepcionalmente vívidos e detalhados da vida de um escravo. Este é um dos poucos retratos da escravidão americana, redigido por alguém tão culto quanto Solomon Northup — uma pessoa que viveu sua vida sob a óptica de uma dupla perspectiva: ter sido tanto um homem livre como um escravo.
O Paradoxo Solomon: O norte e o Sul; O bem e o Mal; O branco e o Negro.
Será o homem produto de sua cultura?
A narração em 1ª pessoa é fluída, densa e estarrecedora. Solomon Northup, que durante esses 12 anos de cativeiro será conhecido como Platt, nos cativa diante da riqueza de detalhes com que nos conta sua jornada: desde sua vida de homem culto e livre no norte, o ardil de seu sequestro e aprisionamento no mocambo escravagista Williams, em Washington, e de como foi enviado por James H. Burch para Nova Orleans aos cuidados de seu comparsa Theophilus Freeman, para ser vendido como escravo na Louisiana onde permaneceu cativo.
“ Ai de mim! Até então ainda não conhecera a medida da “desumanidade do homem para com os seres humanos”; nem tampouco, a ilimitada extensão da maldade de que ele é capaz, por amor ao lucro.”
Uma vez na Louisiana, Solomon – agora Platt –, nos faz vívidas descrições da região do Rio Vermelho, no Bayou Boeuf, a flora, a fauna, o clima, as culturas de algodão e cana-de-açúcar, a insalubridade entre pântanos, serpentes e crocodilos, a natureza selvagem que conduzia qualquer tentativa de fuga à morte certa.
“ Nenhum homem, no auge de seu vigor, pode permanecer impassível na presença do “rei dos temores”. A vida é preciosa para qualquer criatura vivente: até mesmo o verme que rasteja pela terra lutará por ela.”
Solomon reage, luta, cria estratégias, sua fé o alimenta, ele acredita na liberdade, pois sua alma jamais foi aprisionada. Mesmo assim, ele agora é uma “propriedade” e sua vida pertencerá subsequentemente ao “Benevolente” Ford, ao perverso Tibeats e ao insano Edwin Epps, o “Quebra negros”. Dois homens entretanto serão decisivamente importantes ao rumo da trajetória de Platt: Chapin e Bass.
“...exaustão, medo, o sofrimento e a labuta inclemente... a total falta de compaixão, a brutalidade e a crueldade... para garantir a produção de grandes safras.”
Platt dividirá conosco outras histórias de vidas cativas, com sua narrativa profunda e filosófica nos relata a queda de Eliza, as venturas e desventuras de Patsey, Tia Phebe, Tio Abram, Bob e Wiley, as pessoas que durante seu cativeiro de certa forma se agregam como uma família.
E além disto, existe toda uma questão de dominantes, dominados, permissividade, conivência, que são objetos da análise de Solomon no decorrer de seu cativeiro, e inúmeras incongruências que instigam o intelecto e dão tempero “cajun” à leitura. Afinal estamos na Louisiana e a pimenta faz o sangue ferver, ou é a injustiça da truculência arbitrária da comunidade escravocrata de Bayou Boeuf? E diga-se de passagem, no menu da Senzala não tem condimento e a ração é limitada... tipo: pra não engordar. É preciso ter leveza para dançar na ponta do chicote.
A história de Solomon é bela, forte e rara, uma jornada do herói “real” sobre um homem que verdadeiramente lutou por sua Liberdade. Fascinante e inspirador. Excelente leitura.
Adaptação para o cinema
O livro 12 Anos de Escravidão foi adaptado para o cinema e o filme faturou 3 Oscars em março desse ano: Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Roteiro Adaptado, tendo concorrido em 9 categorias: Melhor Filme, Melhor Ator (Chiwetel Ejiofor), Melhor Ator Coadjuvante (Michael Fassbender), Melhor Atriz Coadjuvante (Lupita Nyong'o), Melhor Direção (Steve McQueen), Melhor Roteiro Adaptado (John Ridley), Melhor Figurino, Melhor Edição e Melhor Direção de Arte.
Essa leitura foi uma cortesia do Grupo Pensamento.
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